quarta-feira, 19 de junho de 2013

MARCELO REBELO DE SOUSA: Portugal de hoje faz lembrar a "ressaca do PREC"

por Lusa, publicado por Ana Meireles

O ex-líder do PSD Marcelo Rebelo de Sousa disse hoje, numa conferência em Lisboa, que Portugal está a viver um período que faz lembrar a "ressaca do PREC" (Período Revolucionário Em Curso).
"Portugal está a viver um período, apesar de tudo num contexto melhor, mas está a viver, do ponto de vista sociopolítico um período que me faz lembrar, de repente, a ressaca do PREC", afirmou.
Marcelo Rebelo de Sousa falava durante um almoço-conferência, organizado pelo American Club of Lisbon e onde proferiu um discurso sob o tema "EUA, Europa e Portugal - Trinta Anos Depois".
Afirmando que desde 2005 Portugal tem uma composição parlamentar com "um peso que não é usual nas democracias europeias da esquerda radical", o professor catedrático disse que se se somar "a essa esquerda uma fração do Partido Socialista, pequena que seja, temos uma realidade que faz lembrar a divisão na altura doutrinária e ideológica da ressaca da revolução".
O também comentador político mostrou-se ainda preocupado com o envelhecimento do país e citou um livro sobre a evolução demográfica portuguesa para dizer que em 2030, "mesmo no cenário mais favorável, seremos um país profundamente envelhecido".
"Os de mais de 65 anos serão muito mais do que os jovens, serão mesmo o dobro, a tender para o triplo, de uma fatia da juventude quando a situação em 1981 era exatamente a oposta", frisou.
"É certo que há um dinamismo e há novas formas de utilização dos sistemas sociais e de vivência ativa por parte desse país mais idoso, mas não há a convicção na opinião pública do que é o país daqui por poucos anos e das consequências que isso tem na saúde dos portugueses, na Segurança Social, na vida económica e financeira e no sistema educativo", sublinhou o social-democrata.
Quanto às relações entre Portugal e os Estados Unidos, Marcelo Rebelo de Sousa, membro do American Club, disse que são "muito positivas".
"Houve um avanço positivo e muito significativo nas relações com os Estados Unidos", afirmou.
Referindo-se à questão da Base das Lajes, que classificou como "pequeno problema a resolver", o professor disse que "não tem minimamente afetado" as relações entre os dois países.
Perante dezenas de membros do American Club of Lisbon, Marcelo Rebelo de Sousa defendeu ainda que "há apenas uma superpotência, que são os Estados Unidos".
No final, e respondendo a perguntas da audiência sobre os mais variados temas, o comentador político referiu-se à decisão do Tribunal Constitucional (TC) sobre a reposição do subsídio de férias, dizendo que foi "obviamente uma decisão política".
"Há aqui um equívoco que tem de ser resolvido: que é as pessoas olharem para o TC convencidos de que é um tribunal como os outros. Não é. É um tribunal político. Dois  terços dos membros são eleitos por dois terços dos deputados", disse.
Questionado sobre uma hipotética saída de Portugal do euro, Marcelo Rebelo de Sousa considerou que seria uma "decisão irresponsável".
"As modas recorrentes da ideia da saída do euro são modas perigosíssimas. As pessoas não imaginam o que seria, com o grau de integração que temos económica, financeira e social com a Europa, uma decisão de saída do euro", afirmou o professor.
Diário de Notícias, 19 de Junho de 2013

Açores: Cadeia por roubo mortal

O Tribunal de Ponta Delgada condenou ontem a dois anos de cadeia a dupla acusada de roubo ao mais antigo aluno da Universidade dos Açores, de 92 anos, que morreu dias depois vítima de traumatismo craniano. Manuel Júnior foi atacado e agredido, em 2012, à porta de casa para lhe roubarem uma mala.
Correio da Manhã, 19 de Junho de 2013

Joana Marques Vidal: Aviso aos magistrados

A PGR assumiu a necessidade de "ultrapassar a arrogância, a falta de humildade e a falta de conhecimento dos outros por parte das magistraturas".
Correio da Manhã, 19 de Junho de 2013

PJ detém 15 suspeitos de envolvimento em rede que burlava Segurança Social

MARIANA OLIVEIRA 
Prejuízo apurado ultrapassa os três milhões de euros.
Entre os detidos está um funcionário da Segurança Social
A Polícia Judiciária (PJ) deteve nesta terça-feira 15 pessoas suspeitas de envolvimento numa rede que se dedicava a burlar a Segurança Social, sendo um dos visados um funcionário da instituição. O montante da fraude, adianta a PJ em comunicado, “ultrapassa os três milhões de euros”.
Com recurso a elementos falseados, o grupo obtinha prestações sociais de forma ilícita, como subsídios de desemprego, de doença e de pensões de reforma. “Foi identificado um elevado número de beneficiários em situação fraudulenta na área metropolitana do Porto”, refere a PJ, que precisa que estão em causa crimes de associação criminosa, burla tributária e falsidade informática.
A PJ explica que a vasta operação de buscas levadas a cabo nesta terça-feira, a maioria das quais ocorreram em Vila Nova de Gaia, contou com a colaboração da Unidade de Fiscalização do Norte do Instituto da Segurança Social e dos serviços de inspecção tributária da Direcção de Finanças do Porto.
“Foram detidos, em cumprimento de mandados de detenção emitidos pelo Ministério Público, 15 suspeitos, sendo 11 homens e quatro mulheres, com idades compreendidas entre os 22 e os 60 anos, entre os quais um funcionário da Segurança Social”, contabiliza a PJ.
Os suspeitos ficaram detidos no Estabelecimento Prisional anexo à PJ e serão amanhã ouvidos em primeiro interrogatório judicial para aplicação de medidas de coação.
Público, 19 de Junho de 2013

terça-feira, 18 de junho de 2013

DCIAP: inquérito a procuradores arquivado

Conselho Superior do Ministério Público arquivou os inquéritos disciplinares instaurados a Cândida Almeida, Rosário Teixeira e Paulo Gonçalves por alegada fuga de informação para o Expresso. (notícia atualizada às 22h)
Expresso: Ricardo Marques13:21 Terça feira, 18 de junho de 2013

O procedimento disciplinar tinha sido instaurado a pedido de Joana Marques Vidal
A decisão, que já era esperada depois de o inspetor do inquérito ter concluído pela inexistência de provas, foi confirmada ontem na reunião do Conselho Superior do Ministério Público (CSMP).

O procedimento disciplinar tinha sido instaurado a pedido da procuradora-geral Joana Marques Vidal, depois de o Expresso ter noticiado, em janeiro, uma reunião entre a dirigente do Ministério Público e a então diretora do DCIAP e dois dos procuradores daqueles órgãos - que têm em mãos alguns dos principais processos económicos da Justiça.

No final de maio, tal como o Expresso noticiou, o inspetor designado para conduzir os inquéritos tinha já informado o CSMP de que não havia quaisquer provas de que os três magistrados tinham contactado o Expresso.

Na altura, Gil Almeida afirmou mesmo que, mesmo que o tivessem feito, isso não seria suficiente para provar fosse o que fosse. Nessa reunião, alguns conselheiros não ficaram convencidos com algumas das conclusões e a decisão final foi adiada. Até ontem.

Atualização
Contatada pelo Expresso, Cândida Almeida comentou a notícia do arquivamento do processo. "Ainda não fui notificada da decisão que obviamente aguardava porque tenho plena consciência dos meus deveres e direitos funcionais e sei que nenhum de nós violou nenhum deles", disse.Relacionados
PGR abre inquérito disciplinar a principais procuradores do DCIAP

O MP europeu: um debate urgente

i A VIDA E A LEI

O MP europeu: um debate urgente
A criação do já chamado "Ministério Público Europeu" oferece muitas dificuldades teóricas e práticas a carecer de estudo aprofundado e rigoroso
António Cluny

1. Calcula-se que o montante das fraudes na utilização dos fundos comunitários poderia cobrir, nalguns casos, o valor total das dívidas de certos países mais penalizados pela crise actual.
O controlo da utilização dos fundos da União e a detecção das fraudes cometidas nesse âmbito afigura-se, por isso, agora, mais premente.
Dado que os mecanismos comunitários de fiscalização, investigação e punição dessas fraudes se têm mostrado, todavia, insuficientes e ineficazes, muitos são hoje os que pretendem já aceitar a necessidade da criação de uma "instituição judicial independente", com poderes de investigação e de exercício da acção penal em todo o território da União.
A criação do já chamado "Ministério Público Europeu", instituição cuja hipótese de consagração aparece contemplada no Tratado de Lisboa, oferece muitas dificuldades teóricas e práticas a carecer de estudo aprofundado e rigoroso.
Só assim, com efeito, se poderá projectar o "estatuto" de uma entidade que possa actuar de acordo, apenas, com os imperativos legais e que simultaneamente consiga assegurar todos os princípios internacionalmente reconhecidos de um processo penal justo e equitativo.
Os problemas que uma tal instituição comporta são, como se disse, muitos: os relativos à definição do âmbito, da sede e do tipo dos crimes que ela deve perseguir, os relativos às normas processuais que hão-de orientar o seu procedimento, os relativos à compatibilização dos seus estatutos com as "obediências" de alguns Ministérios Públicos nacionais, os relacionados com a ligação que tal entidade poderá vir a ter com as polícias nacionais ou com uma possível polícia de investigação europeia, com a sua articulação com os juizes nacionais que devem controlar a legalidade das diligências que contendam com as liberdades e garantias, com a sua própria representação em juízo.
Se os problemas são muitos e diversificados, muito estimulantes são também o estudo e a concepção das melhores e mais viáveis soluções para eles.
Enquanto presidente de MEDEL e magistrado português tive recentemente a oportunidade de participar, cm Roma, numa conferência internacional organizada pela Fondazione Basso e o OLAF sobre esta matéria intitulada "Protecção dos direitos fundamentais e processuais; da experiência investigativa do OLAF à instituição do Procurador Europeu".
Ali confluíram peritos de vários países e instituições europeias, muitos magistrados e advogados italianos e diversos professores de muitas instituições e centros de estudo universitários.
Na Universidade de Catânia decorrerá, já esta semana, outra conferência sobre este tema.

2. Ora é precisamente este aspecto que eu queria aqui sublinhar: a preocupação que o estudo de uma tão importante questão tem merecido aos magistrados e advogados de muitos países, e o facto de ele estar já a ser desenvolvido em articulação com as universidades.
Portugal vai ser chamado a pronunciar-se, em breve, sobre tal matéria.
Não me recordo, contudo, de ter existido entre nós algum debate público sobre ela.
Era bom - imperativo até - que as nossas instituições públicas, políticas e académicas, associações jurídicas ou profissionais promovessem a discussão que a criação de tal instituição impõe, não só aos juristas, mas a todos os cidadãos. Sem exclusões.
Ou quererão os nossos políticos, juristas e universitários permanecer, mais uma vez, inexplicavelmente calados e afastados dos problemas que inevitavelmente se deparam ao desenvolvimento futuro do nosso país e da Europa?
Jurista e presidente da MEDEL
Escreve à terça-feira

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Ministério das Finanças

Imprensa...

… no SMMP:
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Há um Tribunal ...Não tenho a menor intenção de influenciar a forma de funcionar do nosso Tribunal Constitucional, muito menos a sua independência. Mas há... 
Um 10 de Junho ...Portugal tem excesso de identidade. Acontece nas melhores famílias. Falar sobre os portugueses e seus usos e costumes é tema para conversa alongada,... 
… na ASJP:
Nova lei do trabalho da Função Pública começa hoje a ser negociada Período de férias e horário de 40 horas semanais são algumas das alterações em debate. A nova lei geral do trabalho da Função Pública – que vai aproximar ainda mais as regras laborais do Estado às do sector privado – começa hoje a…
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Há um Tribunal … Não tenho a menor intenção de influenciar a forma de funcionar do nosso Tribunal Constitucional, muito menos a sua independência. Mas há um ponto que me faz alguma confusão nalguns acórdãos e que tem a ver com a capacidade dos juízes do nosso TC avaliarem temas que não são estritamente jurídicos.…
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VISTO DE FORA Justiça Geracional Esta coisa da sorte e do azar consoante a época em que se nasce é um terreno escorregadio João Pedro Marques A teoria da justiça geracional — chamemos-lhe assim — tem vindo a ganhar adeptos entre os que ainda estão longe da reforma, anestesiando-os a um ponto tal que medidas…
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O futuro da justiça hoje em debate LABORINHO LÚCIO – EX-MINISTRO DE CAVACO SILVA Os ex-ministros da Justiça, Laborinho Lúcio (na foto) e Alberto Costa, respetivamente dos Governos de Cavaco Silva e de José Sócrates, protagonizam esta noite, pelas 21.30, nas Caldas da Rainha, um debate sobre o futuro da Justiça em Portugal, em função…
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ASAE ou ASE? Foi publicada semana a alteração das regras relativas ao café desde o fabrico até à comercialização. Tal facto adquire relevância, já que o novo diploma revoga o D.L. nº 245/79, onde as competências de fiscalização e instrução desta matéria eram da ASAE, que já vinham de 1957. A ASAE tem a missão…
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14,6 MILHÕES DE DÍVIDAS AO FISCO Dívida fiscal soma 14,6 mil milhões Mais de 3,4 mil milhões de euros foram declarados incobráveis, em 2012 ANTÓNIO SÉRGIO AZENHA Os contribuintes devem ao Fisco mais de 14,6 mil milhões de euros. Com esta verba, que representa um aumento de 2% face ao ano passado, o Estado poderia…
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LIMITAÇÃO DE MANDATOS Autarcas em fim de mandato condenados a esperar pelo TC Menezes já está no Constitucional Luís Filipe Menezes soube a 15 de Abril que o 3º Juízo Cível da Comarca do Porto tinha decidido impedi-lo de se candidatar à Câmara Municipal do Porto. O candidato recorreu imediatamente para a Relação do Porto…
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IRS aumenta em julho para quem receber subsídio agora Funcionários das autarquias pagam mais imposto no próximo mês •Nova lei segue hoje para Belém Lucília Tiago – ltiago@dinheirovivo.pt A atual tabela de retenção de IRS dos funcionários públicos foi desenhada com base em 13 salários. Reposição em junho do subsídio de férias nas autarquias vai…
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Autarcas em fim de mandato condenados a esperar pelo Tribunal Constitucional Menezes, Seara, Proença e Ribau podem ter de ir duas vezes ao Tribunal Constitucional – e só à segunda é que sabem se podem ser candidatos A pouco mais de três meses das eleições autárquicas, é cada vez mais evidente que candidatos como Fernando…
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Formação comum para todas as forças de segurança proteção de menores Para onde encaminhar uma criança perdida na praia? Como distinguir um abandono parental de uma simples perda? Como fazer uma sinalização correta a uma comissão de menores? Ou como atuar quando uma mãe vai à esquadra queixarse que o pai não entregou o filho…
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Crime deve ser explicado aos filhos como “loucura” Catujal. Pedopsiquiatra defende que crianças devem saber o que se passou e serem ajudadas a perdoar o pai, que lhes deixou um bilhete É preciso explicar o que aconteceu às três crianças que na sexta-feira ficaram sem pai, depois de este ter morto a ex-mulher e se…
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Funcionários que recebam férias agora vão ter corte extra no salário de Julho Salário encurta em julho nas câmaras que pagarem agora Subsídio. Vazio legislativo obriga a um acerto na retenção na fonte no próximo mês aos funcionários autárquicos que estão agora a receber o 13.° mês LUCÍLIA TIAGO Autarquias de todo o País e…
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Lesados pela cartelização sem direito a indemnizações AdC multa práticas anticoncorrençiais mas os prejudicados suportam prejuízos MARGARIDA BON DE SOUSA Na Europa existem cerca de 20 mil milhões de euros por ano em danos concorrenciais que não são compensados. Foi esta realidade que levou a Comissão Europeia a travar uma luta para que os consumidores…
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sábado, 15 de junho de 2013

Cinco juizes na corrida ao Supremo

Pereira da Silva e Orlando Afonso já assumiram candidatura. Santos Cabral, Henriques Gaspar e Pires Rosa estão em reflexão
Já há dois candidatos oficiais à sucessão de Noronha Nascimento
Eleições para presidente do Supremo são a 4 de julho. Para já há dois candidatos assumidos e três que estão “a ponderar” se vão a votos
Os conselheiros Orlando Afonso e Joaquim Pereira da Silva enviaram ontem cartas aos colegas a deixar clara a disponibilidade para suceder a Noronha Nascimento, que abandonou o cargo de presidente do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) no passado dia 12 de junho. Um conselheiro que não quer ser identificado diz que há mais três pré-candidatos que já mostraram vontade em participar nas eleições, mas ainda não a manifestaram oficialmente: Henriques Gaspar, Santos Cabral e Pires da Rosa. As eleições decorrerão dentro de três semanas, e só votam os 6l conselheiros do Supremo. O presidente é, por inerência, presidente do Conselho Superior de Magistratura, órgão de disciplina que tem poder sobre todos os juizes. Orlando Afonso, que já foi presidente da associação sindical de juizes nos anos 90, é tido como o candidato da continuidade em relação a Noronha Nascimento. Já concorreu, e perdeu, ao cargo de vice-presidente do Conselho Superior de Magistratura e tem vários livros sobre a independência do poder judicial e as reformas da Justiça.
Joaquim Pereira da Silva, atual vice-presidente do STJ, é juiz de carreira e irmão do advogado António Pereira da Silva. Esteve na PJ durante escassos meses e fez carreira nos tribunais cíveis de Lisboa e Peniche.
Santos Cabral, antigo diretor da PJ e candidato derrotado por Noronha Nascimento nas últimas eleições do STJ, “está a ponderar se avança ou não com a candidatura”, garante o mesmo conselheiro. É um opositor do atual sistema de eleição e defende que todos os juizes deviam eleger o presidente do Conselho Superior de Magistratura que seria, por inerência, o presidente do Supremo.
Henriques Gaspar, o único procurador da lista, e presidente em exercício do Supremo (é vice e está a substituir Noronha Nascimento até às eleições) deverá formalizar a candidatura na próxima semana. Fez parte do Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da República e representou Portugal no Tribunal Europeu dos Direitos do Homem e no comité contra a tortura das Nações Unidas. Foi um dos nomes mais falados para o cargo de procurador-geral da República, mas nunca terá sido formalmente convidado.
Pires da Rosa é o presidente da secção cível do Supremo. Não formalizou a candidatura e é um juiz de carreira que nunca ocupou cargos de relevo em instituições públicas ou privadas. Em 2011, durante uma intervenção num jantar do Fórum Justiça, contou que decidiu ser juiz aos 14 anos porque durante os jogos de basquetebol em Aveiro os colegas recorriam a ele para decidir se os lances eram ou não falta. Foi notícia quando numa declaração de voto argumentou que existe em Portugal o “direito à não existência” desde que foi aprovada a lei do aborto. No caso em apreço, uma mãe reclamava 200 mil euros a uma clínica de radiologia que não detetou deformações graves no feto e impediu-a de interromper a gravidez. O pedido foi indeferido pelo Supremo, mas Pires da Rosa votou vencido, alegando que a lei do aborto “coloca a vida, nesses precisos casos, nas mãos da mulher” e que “indignidade será não lhe possibilitar uma quantia que lhe permita suportar o enormíssimo encargo da sua condição de uma forma digna”.
As eleições começam e terminam no dia 4 de julho. Caso haja mais de dois candidatos, o mais votado só ganha se conseguir maioria absoluta. Os dois candidatos com mais votos passam à segunda volta. E ganha o que conseguir a maior votação. Nem que seja por um voto. R.G.
Expresso | Sábado, 15 Junho 2013

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Governo poupa 3550 milhões com função pública e pensões até 2014

Rescisões amigáveis no Estado, mobilidade especial, convergência entre sector público e privado e cortes nos ministérios são algumas das receitas
Resgate
José Manuel Rocha
O Governo propõe-se poupar 3550 milhões de euros na despesa com a função pública e com pensões até ao final do próximo ano. O valor está inscrito no memorando de entendimento que saiu da 7ª avaliação da troika e que ontem foi divulgado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).
No total, o valor de cortes inscrito no documento revelado pelo fundo – que anteontem aprovou nova tranche do financiamento a Portugal – ascende a 4700 milhões de euros. Mas fonte oficial do Ministério das Finanças esclareceu que o quadro avançado pelo FMI inclui um programa (denominado attrition) – referente à diminuição de pessoal ao serviço do Estado – que já estava em execução e que, por isso, não pode ser incluído nas poupanças a pôr em prática. Assim, o valor efectivo de cortes a aplicar até ao final de 2014 é de cerca de 4300 milhões de euros, conforme constava da carta enviada pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, no início de Maio, aos credores internacionais.
Os cortes com que o Governo se comprometeu na 7ª avaliação vão ser conseguidos na base de três segmentos de intervenção: cortes na despesa com os trabalhadores do Estado, reforma do sistema de pensões e reduções nos encargos relacionados com os consumos intermédios dos ministérios – 854 milhões de euros.
As duas primeiras áreas de intervenção representam a parte mais substancial das poupanças, com um corte global de mais de 3500 milhões de euros entre 2013 e 2014. O consumo intermédio registará, ao longo dos próximos dois anos, um emagrecimento financeiro de 854 milhões de euros.
No documento ontem revelado pelo FMI consta ainda uma rubrica de quase 300 milhões de euros sob a designação “outros”, mas sem identificar as medidas de intervenção previstas.
Requalificação (que substitui a mobilidade especial), convergência nas regras laborais entre sector público e privado, rescisões amigáveis – com um custo de 500 milhões de euros em indemnizações – e alterações na tabela salarial e suplementos remuneratórios são medidas que o Governo colocará em curso no âmbito do processo de ajustamento da dimensão da administração pública. O esforço de contenção chegará aos 2172 milhões de euros, nas contas do Governo (incluindo as saídas não compensadas com novas contratações).
Mas há também uma intervenção profunda no sistema de pensões, que resultará em poupanças de 1378 milhões de euros conseguidos à custa do aumento da idade de reforma, da convergência entre os sectores público e privado e da contribuição especial de solidariedade, conhecida como a “TSU dos pensionistas”.
O CDS já afirmou que esta é a linha que nunca ultrapassará, mas a medida continua inscrita (embora não seja considerada estrutural, ou seja, indispensável). Para que não seja aplicada, terá de haver cortes da mesma dimensão numa outra área.
Cálculo das pensões
Do lado das pensões, o documento avança também com mudanças na forma de cálculo das que são atribuídas aos funcionários do Estado. Ao contrário do que sucede actualmente – o valor da pensão é equivalente a 90% do último salário – irá passar-se para um novo rácio de apenas 80%.
No próximo ano, o Governo conta ainda conseguir poupanças de 445 milhões de euros com reduções nas prestações salariais da função pública, resultantes da criação da tabela única e da reformulação dos suplementos remuneratórios em vigor. Com o processo de ajustamento a correr em plena recessão, Abebe Selassie admite que as metas do défice possam vir a ser novamente flexibilizadas, se o andamento da economia tal exigir. No entanto, anteontem a directora-geral adjunta do FMI, Nemat Shafik, tinha afirmado que a margem de manobra “é limitada”, tendo em conta as “elevadas necessidades de financiamento a médio prazo” e os níveis da dívida pública.
Selassie, numa vídeo-conferência realizada ontem, não põe de parte dar anuência a um aumento da despesa com prestações sociais decorrentes do aumento do desemprego, que deverá ultrapassar os 18% no próximo ano. Na área laboral, aliás, o FMI volta a insistir na redução das indemnizações por despedimento. Os instrumentos legislativos para dar corpo à reforma do Estado deverão ser entregues na Assembleia da República até ao final da actual sessão legislativa, ou seja, 15 de Julho.
O documento do FMI alerta, porém, que a prossecução destes objectivos pode enfrentar dificuldades – porque diminui a margem de obtenção de consensos políticos e sociais, o ajustamento irá continuar a fazer-se em clima de recessão e há barreiras jurídicas que não podem ser ultrapassadas, como as que foram levantadas pelo Tribunal Constitucional. com Luís Villalobos
Encontro a dois
Cavaco e Durão pedem troika sem FMI
Durão Barroso considerou ontem “completamente contraproducente” retirar o Fundo Monetário Internacional (FMI) das troikas de credores internacionais de Portugal ou Grécia, mas defendeu que essa é uma possibilidade real para o futuro. A afirmação foi feita durante uma conferência de imprensa com o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.
Em contrapartida, defendeu: “No futuro – e tenho que vincar no futuro – penso que há mais do que condições, se os governos [da União Europeia] quiserem, [para que sejam as instituições europeias a assumir o processo] na plenitude das suas responsabilidades.” No início dos programas de ajuda, que arrancaram com a Grécia em Maio de 2010, a inclusão do FMI na troika em pé de igualdade com a Comissão Europeia e o BCE foi imposta como uma “condição essencial” por “alguns governos”, lembrou Barroso.
A afirmação refere-se implicitamente à Alemanha e outros países do Norte da Europa que alegavam que só o FMI é que tinha a experiência e a capacidade necessária para conceber e gerir os programas de ajustamento dos países ajudados. Cavaco Silva, que na quarta-feira já tinha defendido a necessidade de repensar “o desenho” da troika, precisou ontem igualmente que no imediato o que é preciso é fazer uma reflexão sobre o tema, o que poderá levar “à conclusão de que é tempo de libertar o FMI”, solução que tem a sua preferência pessoal.
O presidente da Comissão defendeu-se igualmente de forma implícita das críticas que começam a chover de várias capitais contras as troikas pela austeridade que está a ser imposta aos países sob programa de ajuda.
Público | Sexta, 14 Junho 2013

FMI, ordem para fintar. Reforma do Estado pronta até 15 de Julho

A táctica do FMI para fintar o Tribunal Constitucional é simples: é preciso avançar lei a lei antes de o parlamento ir de férias
O relatório do FMI da sétima avaliação desvenda a táctica para fintar os juízes do Tribunal Constitucional. Em vez de um pacote legislativo incluído no Orçamento do Estado de 2014 é preciso avançar de lei em lei na reforma do Estado, que o FMI assume ser a mais difícil do programa de ajustamento português. Lisboa pode ainda alegar que as medidas são necessárias para cumprir o Tratado Orçamental europeu, que prevalece sobre leis gerais.
O plano prevê uma poupança de 1411 milhões este ano e 3289 milhões em 2014, tendo em conta ainda cortes nos consumos intermédios. E assim se chega ao valor mágico de 4700 milhões de euros de cortes, que assombra a sociedade portuguesa desde o final de 2012. Mais 700 milhões que os 4 mil inicialmente avançados pelo governo. E tudo até final de 2014. Valores bem diferentes dos anunciados por Passos Coelho, que em 3 de Maio garantia cortes de 4788 milhões até final de 2015.
Pacote do trabalho Mobilidade especial dos funcionários públicos, que agora se chama regime de requalificação, Lei Geral do Trabalho em funções públicas, que aproxima o regime de trabalho no Estado do privado, nova tabela salarial, que inclui cortes nas remunerações suplementares, aumento do horário semanal para 40 horas, rescisões amigáveis. Cinco diplomas sobre o trabalho na função pública que valem uma poupança de 777 milhões este ano e 1395 milhões em 2014, num total de 2172 milhões, que o governo deve enviar para o parlamento a tempo e horas de serem aprovados antes das férias dos deputados, isto é, a 15 de Julho.
Pacote das pensões No campo das pensões, os trabalhos de casa do executivo também são complexos. É necessário legislar com rapidez no aumento da idade da reforma para 66 anos, com a inclusão do factor de sustentabilidade, e acelerar a convergência entre os regimes da Caixa Geral de Aposentações e da Segurança Social. A convergência passa por definir o tecto de 80% sobre o último salário para as pensões do Estado, em vez dos actuais 90%, uma medida que se aplica não só aos futuros pensionistas mas também aos actuais reformados. Os cortes nas actuais pensões no Estado irão penalizar de forma diferente o universo de reformados da Caixa Geral de Aposentações. Os mais atingidos serão os pensionistas anteriores a 2005, que beneficiaram de regimes bem mais favoráveis que os funcionários que entraram na reforma depois desse ano. Um funcionário público que saia hoje para a aposentação tem a reforma calculada com base em duas parcelas: a primeira tem em conta o tempo de descontos até 2005 e que tem por base o último salário actualizado; a segunda parcela tem em consideração os descontos efectuados desde 2006 até à reforma e que tem por base a média dos descontos. Esta regra aplica-se a quem entrou na administração pública até Agosto de 1993, que é a maioria dos que agora se reformam. Quem foi admitido depois desta data já tem regras iguais às do regime geral. Por sua vez, as regras de cálculo das pensões pagas pela Segurança Social também têm duas componentes. A primeira tem em conta os dez melhores anos dos últimos 15 de descontos efectuados até 2006 e a segunda tem em conta toda a carreira contributiva. Já quem entrou no sistema a partir de 2002 tem uma única fórmula: toda a carreira conta para o cálculo da pensão.
Alternativa à TSU dos reformados Além desta convergência, o governo tem de encontrar rapidamente alternativas credíveis em matéria de cortes na despesa do Estado para evitar a aplicação da taxa de sustentabilidade a todos os reformados, a chamada TSU dos reformados, que Paulo Portas e o CDS juram não aceitar.
Este pacote de leis sobre as pensões deve implicar alterações na Lei de Bases da Segurança Social e também um diploma específico para a integração da Caixa Geral de Aposentações na Segurança Social. Resta saber se o governo aproveita a febre legislativa de Verão para integrar na Segurança Social outros subsistemas de pensões, nomeadamente o das Forças Armadas. Seja como for, no domínio das pensões, o FMI só prevê poupanças em 2014. O aumento da idade para 66 anos representa uma poupança de 270 milhões de euros em 2014, a convergência 672 milhões e a TSU 436 milhões, num total de 1378 milhões.
ionline.pt | Sexta, 14 Junho 2013

Supremo dos EUA diz que ADN humano não pode ser patenteado

Polémica. Guerra legal entre empresa que descobriu genes que pertenciam cancro da mama e associação de direitos civis chegou a envolver a dupla mastectomia realizada por Angelina Jolie
HELDER ROBALO
O Supremo Tribunal dos EUA colocou um ponto final na polémica e decidiu retirar à empresa Myriad Genetics a patenteação dos genes que potenciam o aparecimento de cancro da mama e do ovário. A disputa legal, que durava desde 2009, terminou com uma decisão unânime, para satisfação da American Civil Liberties Union (ACLU).
Embora a decisão do Supremo Tribunal defenda que os genes humanos não podem ser patenteados, abre uma porta de esperança para o trabalho de empresas como a Myriad Genetics, já que os juízes entenderam que o ADN artificialmente copiado pode ser reivindicado como propriedade intelectual.
Mas os juízes entenderam que o ADN humano é um “produto da natureza” e deve ser encarado como um instrumento básico para a investigação científica e tecnológica. Os juízes sublinharam a ideia de que leis da natureza, fenómenos naturais e ideias abstraías não podem ser entendidas no âmbito da proteção de patentes.
A empresa, especializada no diagnóstico molecular, isolou o ADN que contém os genes BRCA-1 e BRCA-2 e que estão ligados a um maior risco hereditário de aparecimento do cancro da mama e ovários. Com a patenteação dos genes, a Myriad reclamou para si todo e qualquer teste de diagnóstico destes dois cancros, cobrando para tal uma quantia que rondava os três mil euros.
O final da batalha jurídica representou um tremendo alívio para os representantes de associações de doentes de cancro e direitos civis que se tinham aliado para enfrentar a Myriad. Um dos pontos mais polémicos desta disputa jurídica acabou por surgir no campo mediático, quando, no mês passado, a atriz Angelina Jolie anunciou que realizara uma dupla mastectomia para prevenir o cancro da mama.
Segundo um artigo publicado no New York Times a atriz assumia que tinha 87% de probabilidades de vir a sofrer da doença. Porém, o que podia ser encarado como um incentivo às mulheres, acabou por ser visto por muitos como um golpe mediático do Myriad Genetics na tentativa de influenciar os juízes do Supremo Tribunal.
Se era essa a intenção do anúncio, a verdade é que os nove juízes não se deixaram influenciar e ontem deram conta da decisão. Para grande satisfação de Sara Park, a advogada da associação de direitos civis. “A Myriad não inventou os genes BRCA nem deveria controlá-los”, frisou, ao mesmo tempo que relembrou que, agora, “as doentes terão maior acesso aos testes genéticos e os cientistas podem dedicar-se a investigar esses genes sem receio de virem a ser processados”.
Diário Notícias | Sexta, 14 Junho 2013