domingo, 11 de novembro de 2012
Provedor de Justiça quer aumentos salariais para docentes do Superior
Por Samuel Silva
Numa carta enviada na terça-feira à presidente da Assembleia da República - e que pede seja divulgada por vários grupos parlamentares -, o provedor de Justiça apela a que, em sede de apreciação da proposta de lei do Orçamento do Estado para o próximo ano, seja considerado o caso dos docentes universitários, dos politécnicos e dos investigadores que, depois de concluído o respectivo doutoramento, acederam a uma categoria profissional superior, mas mantiveram a remuneração. Nesse documento, Alfredo José de Sousa defende que se corrija "a desigualdade criada, através do ajustamento entre a categoria profissional e a remuneração correspondente".
O que o provedor defende não é uma excepção para estes professores, mas apenas o reconhecimento de que, tendo mudado a categoria profissional, também a situação salarial deve mudar. Em causa estão os docentes que, por via das alterações ao Estatuto da Carreira Docente Universitária, Estatuto da Carreira do Pessoal Docente do Ensino Superior Politécnico e Estatuto da Carreira da Investigação Científica, viram eclipsada a categoria profissional em que se encontravam e que ficaram abrangidos por um período transitório durante o qual podiam obter o grau de doutor, subindo imediatamente de categoria profissional. Estes professores representam cerca de 0,2% dos cerca de 38 mil docentes universitários.
O regime transitório encontra-se em vigor até 2015, mas desde o Orçamento do Estado de 2010 que está afectado pelas medidas de contenção da despesa. Primeiro, o Governo proibiu as promoções e as actualizações de vencimento. E, apesar de no ano seguinte ter autorizado que os docentes em causa pudessem subir de categoria profissional, o executivo manteve o congelamento do salário.
Esta decisão, defende o provedor de Justiça, é contrária à lei e à própria Constituição. Alfredo José de Sousa considera que está "comprometido o princípio da igualdade", na vertente de "trabalho igual, salário igual". Numa mesma instituição, docentes que detêm a mesma categoria e exercem correspondentes funções auferem remunerações distintas. Alfredo José de Sousa lembra que o próprio Governo reconheceu este desajustamento durante a preparação do Orçamento para 2013, quando foi antecipada a possibilidade de serem reconhecidos efeitos remuneratórios a estes docentes. "Acontece que a solução gizada acabou por não ser acolhida no texto final do OE 2013, desconhendo-se os motivos do recuo da posição adoptada", afirma o provedor, pedindo aos partidos com assento parlamentar para corrigirem agora o problema.
O provedor decidiu tomar posição depois de ter recebido queixas de professores, investigadores e sindicatos. A avaliação feita aponta a actualização salarial como "um verdadeiro direito dos trabalhadores, sendo, nessa medida, obrigatório para a administração". Por isso, o provedor entende que as imposições em matéria de controlo de despesa devem actuar em domínios em que haja margem de escolha na realização da despesa e não quando essa margem não existe.
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sábado, 10 de novembro de 2012
Justiça poupa 3,9 milhões de euros até 2015 só na renda do Campus de Lisboa
Por Mariana Oliveira
A novidade foi anunciada ontem pela ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, no Parlamento, onde esteve a explicar aos deputados o orçamento da Justiça para o próximo ano. Aquele corte acresce aos 6,2 milhões que vão ser poupados anualmente com a denúncia de 84 contratos de arrendamento e a renegociação de outros 114 até 30 de Setembro.
O secretário de Estado da Administração Patrimonial da Justiça, Fernando Santo, explicou ao PÚBLICO que o acordo de redução da renda do Campus de Lisboa apenas irá vigorar até 2015, ano em que termina o plano de austeridade acordado com a troika. "Depois terá que se negociar novamente com o senhorio", adianta. Recorde-se que a forma como foi negociado este contrato pelo Governo de José Sócrates (que custa mais de 12 milhões de euros anuais de renda e 1,5 milhões de condomínio) está a ser investigado pelo Ministério Público.
Fernando Santo, que tem a seu cargo a área financeira do ministério, mostrou-se ontem confiante no cumprimento das metas orçamentais em 2013. "Difícil foi o orçamento de 2012 com uma dotação de menos 208 milhões de euros que a média do orçamentos dos dois anos anteriores. Mesmo assim conseguimos pagar 60 milhões de dívidas atrasadas e vamos chegar a 2013 sem dívidas a mais de 90 dias", sublinhou Fernando Santo ao PÚBLICO. Apesar do orçamento do próximo ano ter sido o tema da discussão de ontem na comissão parlamentar do Orçamento e Finanças, a maior parte das perguntas dos deputados centraram-se na nova versão do mapa judiciário. A ministra Paula Teixeira da Cruz resistiu a debater a reorganização do funcionamento dos tribunais, que insistiu será discutida a seu tempo na Assembleia da República. "Entendo essa insistência como um elogio transversal ao Orçamento da Justiça", interpretou.
Paula Teixeira da Cruz sublinhou que, apesar do rigor do orçamento de 2013, que reduz as despesas de funcionamento em 2,9 milhões face a este ano e o investimento em 1,7 milhões, houve um reforço das áreas nucleares da Justiça. "As despesas com a área dos tribunais cresce 0,9%, a reinserção e os serviços prisionais sobem 1% e a investigação criminal 3%", realçou a ministra.
Um dossier com mais de 100 páginas sobre a situação financeira e os gastos do ministério foi entregue aos deputados, tendo vários membros da oposição, como João Oliveira do PCP, elogiado a medida. No documento a que o PÚBLICO teve acesso, dá-se conta que, entre 2006 e Janeiro de 2011, a Justiça prometeu vender à ESTAMO, uma sociedade que se dedica à aquisição e alienação do património do Estado, 36 imóveis pelo preço de 261 milhões de euros. "Como muitos dos imóveis continuaram a ser utilizados, por falta de alternativas(...), o Ministério da Justiça passou a ter que assumir indemnizações compensatórias, equivalentes a rendas, tendo a ESTAMO reclamado 19,3 milhões de euros até 31 de Dezembro de 2011", contabiliza-se. Neste momento, acrescenta-se, estão em curso negociações para readquirir uma parcela de 9% da Herdade Pinheiro da Cruz por 7,4 milhões de euros, onde se inclui o estabelecimento prisional que afinal não será demolido.
O relatório refere ainda que o levantamento do património ao serviço da Justiça permitiu identificar mais de 1.100 imóveis, dos quais cerca de 440 eram arrendados, sendo os restantes propriedade do Estado. Destes, 333 são antigas casas de função de magistrados, 150 das quais estão devolutas. Ainda este mês, Fernando Santo prevê colocar à venda, através de um concurso público, 60 destas habitações. "E conseguimos que a Caixa Geral de Depósitos garanta 100% do financiamento a quem quiser comprá-las", remata.
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10.11.12
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Etiquetas: Justiça
DIAP do Porto, medidas estruturais
Por Alberto Pinto Nogueira
Escrevi neste jornal há semanas: a ministra da Justiça é um caso de competência política indiscutível e preza, como poucos no seu governo, o humanismo e a sensibilidade social.Decorre, todavia, desse reconhecimento, uma mais acentuada responsabilidade política e social.
Afirmou que tomara, desde Junho de 2011, pelo menos, duas medidas estruturais por semana. E inquiriu: "Eu pergunto: qual foi o governo, desde o 25 de Abril, que fez uma medida estrutural por semana, na área da Justiça?".
Se responde: nenhum, nem o da sr.ª ministra da Justiça. A menos que "medidas estruturais" já não sejam as que modificam profundamente o sistema!
A verdade é que as palavras, mesmo na boca dos governantes, têm de ter algum sentido, concedendo, porém, que a demagogia faz parte do cardápio da política.
Falemos de factos.
Pelo princípio do corrente ano, um director do jornal PÚBLICO e um professor catedrático da Universidade do Porto, num programa televisivo, denunciavam as condições péssimas de saúde, salubridade e segurança do Departamento de Investigação e Acção Penal do Porto (DIAP). O que estava assente em vistorias levadas a efeito pela Câmara Municipal do Porto e Administração Regional de Saúde do Norte. Acrescentando que, disperso por sete edifícios da cidade, impedia um trabalho adequado e correcto. Finalizaram, em suma, serem exigíveis condições sem luxos, mas dignas, seguras e saudáveis. E que permitissem eficiência e celeridade processuais.
Havia, na altura, conhecimento de que o procurador-geral distrital do Porto, que, por coincidência, era o signatário, durante anos, seis anos concretamente, foi referindo, com deferência, como deve ser quando se fala com o poder, em ofícios e relatórios anuais, tais condições ao que adicionava: gabinetes exíguos para dois magistrados, funcionários instalados na cave, sem luz, amontoados uns com os outros E com centenas de processos por tudo quanto é sítio, presos que aguardavam nas carrinhas celulares na via pública estacionadas nos passeios. Um rosário...
A Comunicação Social, que não fala a uma só voz, deu eco a tais situações, dias a fio.
O jornal PÚBLICO e o Jornal de Notícias, a 25 de Abril, anunciavam que, finalmente, o ministério da sr.ª ministra ia tomar as medidas que a situação, inaceitável que era, impunha. Estava-se em Abril!
E tomou: saneou, politicamente, o responsável do MP, pelos seus representantes no Conselho Superior do MP, em conluio com os do sindicato daquele.
Assim se calou a "voz dissonante" de que falavam o jornalista e o prof. catedrático.
Quanto ao DIAP, o resultado de sempre: tudo na mesma.
Aí tinha a sr.ª ministra da Justiça uma medida a tomar, não estrutural, mas mais imperiosa do que outras: cuidaria da saúde, da segurança e da higiene de cerca de cinquenta magistrados, uma centena e tal de funcionários e respeitava o cidadão.
E a JUSTIÇA de que é ministra.
P.S.: A ministra da Justiça anunciou entretanto na TV (agora feita DR) que vai poupar cerca de 500 milhões de euros nas despesas de vários ministérios, entre os quais naquele que o povo lhe deu: medida estrutural!Magistrado do Ministério PúblicoPúblico de 2012/11/10
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sexta-feira, 9 de novembro de 2012
Justiça gasta mais que a média europeia com piores resultados
Frente-a-frente
João Correia e Daniel Proença de Carvalho
SISTEMA JUDICIAL
Gastos de Portugal na Justiça superam a média europeia
ESPECIAL FUNÇÕES DO ESTADO
Gastamos acima da média, mas não temos funcionários nem juízes a mais. O que temos a mais é litigância e os processos são demorados. A eficiência da Justiça volta a estar em discussão
FILOMENA LANÇA*
filomenalanca@negocios.pt
Em Portugal, a despesa pública com Justiça medida em percentagem do PIB está acima da média europeia. São cerca de 0,98%, quando nos nossos parceiros da Zona Euro esse valor anda em média nos 0,46%. E a causa não parece estar no número de funcionários e juízes que fica em linha com os seus parceiros do Euro. Os números são do Conselho da Europa, que todos os anos realiza um relatório sobre a eficiência da Justiça, e referem-se a 2010 (pelo que excluem os cortes substanciais nos salários de 2012).
Em contrapartida, temos mais processos entrados por cem mil habitantes e os casos demoram mais tempo em tribunal. As pendências, essas, também são conhecidas e já este ano voltaram a subir, aproximando-se cada vez mais de 1,7 milhões.
A despesa com a Justiça, que no OE para 2013 registará mesmo um ligeiro aumento de 2,5%, volta agora a estar em avaliação, depois de Paula Teixeira da Cruz ter afirmado que está em estudo um corte de 500 milhões partilhado entre a Justiça, a Administração Interna e a Defesa. Mas, como e onde cortar?
José Mouraz Lopes, presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP), recusa que o País esteja muito longe dos seus principais parceiros europeus. "Numa visão global, Portugal está na média, não entre os muito bons, é verdade, mas também não entre os maus". Além disso, "em algumas áreas, como por exemplo a do crime, está até muito positivo".
Aqui, verificou-se uma redução do tempo de resolução processual, que está actualmente nos nove meses (era de cerca de um ano em 2007). Noutras áreas, como a do cível ou a comercial, a situação é pior, admite o magistrado. As acções de cobrança de dívida continuam a disparar e as de insolvência também têm vindo a crescer e de 2007 para 2011 o aumento foi de 293%, uma realidade directamente relacionada com a situação de crise que o País atravessa.
Isso, afirma Mouraz Lopes, poderá resolver-se, "deslocalizando alguns investimentos", ou seja, "fazendo um investimento rápido nas áreas onde as coisas estão objectivamente mais complicadas".
Reduzir pessoal não é solução
A implementação do novo mapa judiciário, a partir do próximo ano, deverá promover poupanças na estrutura, mas os magistrados avisam que cortar nos recursos humanos é impossível. "Os funcionários judiciais estão à conta, bem como os juizes, e temos carência de magistrados do Ministério Público (MP)", sublinha Rui Cardoso, presidente do Sindicato dos Magistrados do MP, lembrando que a magistratura continua a precisar de mais de 40 substitutos, que exercem as funções de MP sem terem tido a necessária formação do CEJ.
Olhando mais uma vez para as estatísticas do Conselho da Europa verifica-se que tanto no número de juizes como no de funcionários, Portugal está na média dos restantes países e só a ultrapassa no número de magistrados do MP, o que poderá explicar-se com a diferença de regimes entre os vários países. As estatísticas relativas aos sempre polémicos salários dos juízes revela também uma posição abaixo da média. E, embora seja preciso ter em conta as diferenças de nível de vida de país para país, estas estatísticas, por serem de 2010, não reflectem ainda os cortes nos salários dos magistrados em 2011 e em 2013.
Em alternativa aos cortes, a proposta é que se simplifiquem procedimentos, que se dê mais transparência ao sistema, como defende Mouraz Lopes. Ou, também, que se invista em boas aplicações informáticas "que não obriguem a inserir três vezes os mesmos dados em bases diferentes, como agora acontece", acrescenta Rui Cardoso. A reforma do mapa judiciário ou do código de processo Civil, que em breve deverão chegar ao Parlamento poderão ir nesse sentido, mas falta pô-las no terreno. *com ME
Justiça já privatizou o que podia sem ter de alterar a Constituição
Entregar a privados a gestão dos tribunais, do património imobiliário ou das prisões seriam medidas possíveis, mas polémicas. A Justiça é para os tribunais e para o Estado
FILOMENA LANÇA
filomenalanca@negocios.pt
A Constituição da República é taxativa: "A todos é assegurado o acesso ao direito e aos tribunais para defesa dos seus direitos e interesses legalmente protegidos". Ora, a Justiça é uma competência exclusiva dos tribunais, órgãos de soberania, parte integrante do Estado. Posto isto, redefinir as funções do Estado em matéria de Justiça sem mexer na CRP pode ser um verdadeiro quebra-cabeças e a maioria dos especialistas inclina-se para a impossibilidade de tal acontecer.
"Na área da Justiça não se entende que reforma do Estado possa existir porque não há grande margem para privatizar para além de sérios problemas de constitucionalidade", resume Nuno Garoupa, professor de direito da Universidade do Illinois. Rui Alarcão, professor jubilado e membro do Conselho Superior do Ministério Público (MP), concorda: "É preciso proceder com todas as cautelas, pois estão em causa funções primordiais do Estado".
Paula Teixeira da Cruz estará já a delinear um conjunto de cortes que implicarão uma revisão das funções do Estado e que acomodarão, a meias com a Defesa e com a Administração Interna, uma poupança da ordem dos 500 mil euros. De que forma? "Só se for a eito", afirma o bastonário da Ordem dos Advogados. Marinho e Pinto tem-se batido contra qualquer forma de privatização da Justiça, nomeadamente contra a arbitragem como meio alternativo de resolução de litígios. Esta, no entanto, é considerada constitucional, explica Paulo Otero, uma vez que é exercida por "tribunais arbitrais". Deve mesmo, acrescenta Rui Alarcão, ser incentivada. "Aí haverá lugar para uma certa contratualização da Justiça, numa linha de orientação que deve ser continuada".
Tribunais geridos por privados?
No entanto, não será com incentivos à arbitragem que se conseguirão poupanças significativas na Justiça Paulo Otero, especialista em direito constitucional, concorda que as limitações são muitas. Talvez seja possível, admite, entregar a privados a gestão dos tribunais. "Não passa por aí o exercício de uma função de autoridade, é uma função acessória e instrumental, preparatória ou executiva das decisões do Juiz".
Outra hipótese passaria por entregar a privados a gestão do vasto património imobiliário que integra as instalações judiciais. Resta saber que poupanças obteria o Governo com medidas destas. "Desde logo a ausência de responsabilidades salariais em relação a todos os funcionários, podendo uma parte das custas judiciais reverter para os gestores privados, como receita", sugere Paulo Otero.
Os magistrados, contudo, nem querem ouvir falar desta possibilidade. "A gestão dos tribunais está intimamente ligada à sua função jurisdicional", afirma Rui Cardoso, do Sindicato dos Magistrados do MP. Mouraz Lopes, da Associação Sindical dos Juízes, concorda e acrescenta que pensar em privatizar a gestão das cadeias - outra hipótese que tem sido avançada - também é uma impossibilidade constitucional. "A execução de penas não deve sair da órbita do Estado", diz. "Admito que se entreguem alguns serviços, como o fornecimento de refeições, mas uma privatização seria um erro, além de que tem perversidade", acrescenta o magistrado.
Um erro e "genericamente um desastre, com um encaixe financeiro mínimo para o Estado e absolutamente fora de moda", afirma Nuno Garoupa "O Reino Unido introduziu cadeias privadas em 1992, mas tem sido um fracasso. Israel privatizou as suas cadeias em 2004, mas o Supremo Tribunal de Israel decidiu que era inconstitucional porque viola a dignidade humana", esclarece o especialista.
Do notariado à arbitragem: os passos da privatização da Justiça em Portugal
Já há várias áreas da Justiça entregues a privados. Sempre com alguma polémica e no limite do que permite a Constituição
Em 2003, quando o então Governo de Durão Barroso decidiu entregar aos privados o exercício do notariado, levantou-se um coro de críticas, muitas das quais ainda hoje se mantêm. Foi o primeiro grande exercício de privatização da Justiça e a controvérsia de então manteve-se sempre que medidas idênticas foram tomadas. No caso dos notários entendeu-se que seria perfeitamente constitucional, por serem os próprios notários detentores de fé pública e de representação do próprio Estado.
A arbitragem foi o passo seguinte. Assume hoje uma importância crescente, já que os litígios envolvendo grandes negócios praticamente vão desaparecendo dos tribunais. Há cerca de um ano foi lançada também a arbitragem em matéria fiscal, que começa igualmente a ultrapassar as desconfianças iniciais dos contribuintes. O tema continua, no entanto, a dividir as hostes. Marinho Pinto, Bastonário da Ordem dos Advogados, é um dos seus grandes detractores. "A justiça arbitral é uma fraude, é tudo feito na clandestinidade, às escondidas. Quem tem dinheiro ganha", afirma. Do lado dos grandes escritórios de advogados, contudo, a arbitragem é defendida e acarinhada. E a própria troika é grande defensora dos meios alternativos de resolução de litígios (ver texto ao lado).
Além da arbitragem, verifica-se uma aposta cada vez maior na mediação de conflitos por antecipação e tentando evitar que os litígios cheguem efectivamente a tribunal. Acontece já muito nas áreas de família ou laboral, por exemplo. "O Estado deve garantir a justiça e não obrigar as pessoas a fazer as pazes, a entender-se com burocratas, porque essa não é a função do Estado", sustenta, mais uma vez, Marinho e Pinto.
Foi também no sentido da privatização a grande reforma da acção executiva há já quase uma década. Os solicitadores passaram a exercer funções de agentes de execução efectuando a cobrança de dívidas reconhecidas previamente pelos tribunais. Neste momento está já outra reforma a caminho, no sentido, aliás, de entregar mais prerrogativas aos agentes de execução, nomeadamente no que toca à penhora de depósitos bancários.
Troika é defensora da resolução de litígios fora dos tribunais
A arbitragem e a mediação são meios de resolução de litígios alternativos aos tribunais que têm vindo a ser cada vez mais utilizados e que a toika fez questão de incentivar. O memorando previa a elaboração de uma nova lei da arbitragem - que, de resto, vinha já a ser preparada - e que se encontra já em vigor. Pretendia aliciar cada vez mais os operadores para estes meios processuais, onde se resolve já, hoje em dia, uma parte significativa dos litígios que envolvem grandes negócios. Porque é mais rápido do que um tribunal comum, onde as acções ainda se arrastam durante longo tempo, e permite à partes a escolha dos árbitros, que podem, assim, ser especialistas nas matérias em cima da mesa.
Outra aposta da troika era a arbitragem tributária, que entrou em vigor em Julho do ano passado e que pretendia retirar dos tribunais tributários uma parte significativa de acções. As vantagens são semelhantes às da arbitragem comercial e não faltaram vozes a avisar que se estava a fazer uma arbitragem para ricos. O modelo está ainda a entrar em velocidade cruzeiro, mas tem havido um número crescente de processos a dar entrada. Longe, ainda assim, do que seria necessário para ter um impacto significativo nas pendências tributárias.
O memorando prevê, por outro lado, a aprovação de uma nova lei dos Julgados de Paz, que permita também que um número mais substancial de pequenos litígios possa ser "desviado" para estes juízos, aliviando os tribunais comuns. Esta reforma continua por fazer e deverá estar concluída antes do final do ano. Mais rápidas foram as alterações em matéria de inventário, que estão em fase final de processo legislativo e permitirão transferir para os notários a realização de inventários de bens em caso de partilhas.
FRENTE-A-FRENTE AS MESMAS PERGUNTAS. DUAS VISÕES
1. De que forma é que o Estado pode reduzir o seu peso na área da Justiça?
2. Até onde deve ir essa redução? A privatização da justiça é o melhor caminho?
3. Os cidadãos sairão a ganhar? As poupanças para o Estado seriam significativas?
4. Portugal vive o momento adequado a uma reforma deste tipo?
JOÃO CORREIA
ADVOGADO E EX-SECRETÁRIO DE ESTADO DA JUSTIÇA
"A privatização não é sequer o caminho"
1. O Estado deve ser mais pesado do que é. A Justiça é levada pouco a sério em Portugal, daí a sua leveza. Dum lado, é lenta. Doutro lado, os comentadores televisivos são, por regra, incompetentes. O Estado não deve reduzir o seu peso na área da justiça. Bem pelo contrário, deve ser eficaz, deve ser actuante, ser responsável, responsabilizável e responsabilizada.
2. O que se pode e deve reduzir são os formalismo e as irresponsabilidades. Os formalismos geram a prolixidade e as artimanhas puramente dilatórias; as irresponsabilidades provocam os abusos, o autoritarismo, a lentidão injustificada A privatização não é sequer o caminho. Veja-se o que aconteceu com a Acção Executiva e com a Lei de 2009 sobre os Inventários. Confunde-se, por pura ignorância, o conceito de privatização com a necessidade de devolução a oficiais públicos Ceia-se: notários) de funções parajudiciais de suporte à actividade judiciária.
3. Os cidadãos, está demonstrado, perderam e de que maneira, com a privatização cega de competências que estavam a cargo dos tribunais. Os responsáveis foram alertados na altura própria. Mas dada a sua superficialidade, entenderam transferir competências sem nexo, sem estudo e sem estruturas. O resultado está à vista. O Estado não ganha um cêntimo com a "privatização". Só perde.
4. A reforma é, perante a crise, ainda mais necessária do que o era antes da crise. Este é o momento historicamente apropriado para criar grandes comarcas, para a especialização, para um outro modelo de gestão financeira e de recursos humanos, dum lado, e para uma diferente abordagem dos conflitos nos tribunais, por outro lado. Em suma, esta é a última estação do comboio do progresso para uma justiça do século. XXI. De facto, não nos podemos esquecer que temos uma organização territorial com quase 200 anos e um modelo de relações entre o Estado e os cidadãos com quase 80 anos. Quem os quiser defender, que ponha o braço no ar, mas terá que apresentar alternativas para destruir a degradação da justiça que hoje - todos - vivemos. Se o não fizer, então fique quieto e calado.
DANIEL PROENÇA DE CARVALHO
ADVOGADO
"O caminho a seguir é o do reforço da justiça arbitral"
1. Sim, o Estado pode reduzir o seu peso na área da justiça. Quando comparamos os meios humanos e materiais afectos ao sistema da justiça com os de países europeus que nos são próximos, verificamos que não é por falta de meios que a justiça está longe de corresponder aos padrões exigíveis em eficiência e qualidade. O número de magistrados judiciais e do Ministério Público cresceu bastante mais do que o número de processos entrados no sistema; ou seja, diminuiu muito a produtividade do sistema em 1960, a cada juiz correspondiam 1.040 novos processos; em 2011, por cada juiz, 459 novos processos (dados da Pordata). No que toca aos gastos, Portugal é também um dos países onde a despesa per capita com a justiça é mais elevada.
2. Para além das reformas na organização e funcionamento do sistema, de modo a aumentar a sua eficiência e a reganhar a credibilidade que infelizmente foi perdendo, o caminho a seguir é o do reforço da justiça arbitral, designadamente através de centros de arbitragem, sensibilizando as empresas para o recurso sistemático a esse meio de resolução de conflitos, em alternativa aos tribunais do Estado.
3. Os cidadãos e as empresas têm a ganhar com o recurso aos meios alternativos ao sistema de justiça do Estado, aliás a rapidez e a satisfação das partes que recorrem à arbitragem tem vindo a aumentar muito significativamente. Hoje os grandes litígios passam por aí, o desafio é retirar do sistema do Estado todo o contencioso a que os centros de arbitragem dão melhor resposta na justiça cível, comercial, laboral, administrativa e fiscal.
4. Há muito que a reforma da justiça deveria ter sido empreendia mas os poderosos interesses que dominam o sistema têm impedido qualquer tentativa nesse sentido. A emergência em que nos encontramos é propícia à reforma, que deve merecer o consenso pelo menos dos partidos do Governo e do PS.
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Simas Santos
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9.11.12
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Leituras Oficiosas
Não se esqueça de ler as Leituras Oficiosas com outras informações de interesse actual.
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Acesso ao Direito conta com menos 18 milhões de euros em 2013
A ministra da Justiça admitiu esta manhã que o regime de Apoio Judiciário vai contar em 2013 com 42 milhões de euros, menos 18 que o ano passado.
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A. M.
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9.11.12
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2º CONCURSO CURRICULAR DE ACESSO AOS TRIBUNAIS DA RELAÇÃO
O Conselho Superior da Magistratura acaba de anunciar no seu site oficial que aprovou a abertura do 2º Concurso Curricular de Acesso aos Tribunais da Relação.
Cerca de um ano depois da abertura do primeiro concurso e escassos meses depois da colocação de metade dos quarenta e oito graduados são chamados, pela segunda vez, dezasseis dos anteriores candidatos.
Três questões se me suscitam e para as quais não tenho resposta
Foram ponderados os erros apontados ao primeiro concurso, nomeadamente pela ASJP?
Porque se abre um concurso para um universo tão limitado de dezasseis candidatos?
Não será de repensar, nomeadamente a periodícidade dos concursos e o número de candidatos abrangidos, à semelhança, por exemplo, do que sucede com o STJ?
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ManelZé
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9.11.12
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Trabalhadores da RTP pedem investigação à Procuradoria-Geral da República sobre TDT
Camilo Azevedo, da CT, disse ao PÚBLICO esperar que "o Ministério Público abra um inquérito" sobre a implantação da TDT. O porta-voz afirmou que é função dos "trabalhadores do serviço público zelar pelos interesses dos cidadãos".
Neste sentido, em Janeiro, os trabalhadores da RTP forneceram ao Ministério Público vários documentos com informações sobre o processo. Contudo, dez meses depois não há qualquer desenvolvimento, pelo que decidiram entregar mais documentos.
"Poupar-se-á tempo e dinheiro dos contribuintes, bem como os prejuízos resultantes de um processo incorrecto de introdução da TDT em Portugal, se a participação não tiver ficado na gaveta", diz a CT.
Na semana passada, os trabalhadores da RTP acusaram a empresa de televisão pública de ter "sido cúmplice dos ganhos indevidos que acumulam os operadores da televisão por cabo" no processo de apagamento do sinal analógico e passagem para a TDT.
O momento de entrega de documentos aconteceu na sequência da apresentação da apresentação da tese de doutoramento de Sergio Denicoli sobre "a implementação da televisão digital terrestre em Portugal", em que o investigador concluiu que "a Anacom favoreceu a Portugal Telecom".
Voto de louvor a tese polémica
A tese foi ontem publicada na Internet pelo Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho (UM), que também atribuiu um voto de louvor a Denicoli pela obtenção do grau de doutoramento. A investigação criou uma onda de solidariedade entre académicos e cidadãos, e na Internet circula uma petição intitulada "Pela liberdade de investigação académica", que conta com mais de seis mil subscritores.
Em resposta às declarações de Denicoli sobre a existência de "indícios de corrupção" no processo, a Portugal Telecom anunciou ir levar o caso a tribunal. Uma posição que o presidente, Zeinal Bava, reforçou na quarta-feira: "Não há processo de corrupção nenhum, há uma tese de alguém que faz acusações e agora vamos deixar que o tribunal apure o que levou essa pessoa a dizer coisas muito graves e que atentam contra a honra da PT."
Em contraponto, o Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da UM disse ontem que se trata de "ameaças públicas" e manifestou "solidariedade e alerta para o condicionamento que estas práticas podem representar para a investigação científica", bem como "total apoio" à petição.
Público | 2012.11.09
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Ministério da Justiça poupou 6,2 milhões com renegociação de contratos de arrendamento
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Ministra garante que Orçamento reforça verbas para investigação criminal
09.11.2012
- 12:00 Por Lusa
Quanto aos meios humanos, assegurou que o orçamento permitirá um reforço de 237 guardas prisionais, 83 inspectores da Polícia Judiciária (PJ), 55 magistrados judiciais, 400 oficiais de justiça, 16 médicos de Medicina Legal e 26 técnicos do mesmo instituto.
“É um bom orçamento para o Ministério da Justiça”, enfatizou Paula Teixeira da Cruz, aludindo ao reforço de meios humanos e de áreas cruciais do sistema de justiça, como são os tribunais, as prisões, a reinserção e a investigação criminal. Disse ainda que este orçamento tem “subjacente” um conjunto de reformas “substanciais” para o sector, designadamente o Código de Processo Civil e a Lei de Organização Judiciária (mais conhecido por mapa judiciário).
As reformas abrangem ainda segmentos como os Julgados de Paz, Mediação, Processo Administrativo e acção executiva (cobrança de dívidas), estando as alterações nesta última matéria a serem feitas no âmbito da reforma do Código Civil.
Ricardo Rodrigues (PS) contestou a ideia de que o orçamento da Justiça tenha um aumento de verbas, observando que, se forem descontados a reintegração dos subsídios e de outros cortes efectuados em 2012, há um “ligeiro decréscimo”. O deputado socialista contrariou ainda o optimismo da ministra com o anúncio governamental de que serão necessários cortes de quatro milhões de euros na despesa do Estado, pelo que este orçamento não será para cumprir.
O orçamento para a Justiça em 2013 ascende a 1378,7 milhões de euros, registando um aumento de 2,5% (mais 34,1 milhões de euros) relativamente a 2012. Segundo o documento divulgado pelo Governo, a estrutura da despesa consolidada por classificação económica demonstra que 88,3% da despesa se encontra afecta a despesas com pessoal e à aquisição de bens e serviços.
O subsector Estado apresenta um aumento de despesa de 3,4%, mais 37,5 milhões de euros, o que é essencialmente justificado pelo efeito da reposição do subsídio de Natal. O aumento de 3,7 milhões de euros na despesa de investimento é justificado pela construção da nova sede da Polícia Judiciária, em Lisboa, cujo historial, algo rocambolesco, tem mais de uma década e chegou a estar prevista para Caxias.
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9.11.12
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quinta-feira, 8 de novembro de 2012
Exemplo autárquico
Segunda
Opinião
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8.11.12
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Procuradoria-Geral da República
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Advogados de Lisboa dão consultas gratuitas durante um dia
Justiça
Por Mariana Oliveira [Público | 2012.11.08]
Esta é a 6.ª edição do Dia da Consulta Jurídica Gratuita, organizada pelo Conselho Distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados (OA). A iniciativa é aberta a todos os cidadãos, nacionais e estrangeiros, independentemente da sua situação económica.
"Num contexto de crise social e económica, que afecta milhares de portugueses e abala a sociedade, o Dia da Consulta Jurídica Gratuita traduz-se num apoio efectivo fundamental aos cidadãos, especialmente, aos mais carenciados, respondendo a questões de carácter jurídico", sublinha a organização.
Os gabinetes vão funcionar em Almada, Amadora, Benavente, Cascais, Lisboa, Loures, Mafra, Seixal, Sesimbra, Sintra e Vila Franca de Xira. Alguns vão estar localizados em instalações da Ordem e outros junto de parceiros da iniciativa, como a Cruz Vermelha Portuguesa, a Abraço, a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima ou a Amnistia Internacional. No Conselho Distrital de Lisboa da OA, na Rua dos Anjos, em Lisboa, vão funcionar sete gabinetes que vão estar divididos por ramos do direito.
A iniciativa, que ocorre desde 2006 (com um interregno o ano passado), tem contabilizado uma média de mil consultas jurídicas por edição.
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Etiquetas: Advogados
Sá Fernandes apresenta queixa contra o Estado
Tribunal europeu
Por Ana Henriques (Público | 2012-11-08)
Tudo aconteceu em 2005, tendo o patrão da Bragaparques tido vários encontros com o irmão do vereador José Sá Fernandes para oferecer 200 mil euros ao autarca em troca do seu silêncio sobre a permuta do Parque Mayer, propriedade do grupo de Braga, pela Feira Popular, que pertencia à Câmara de Lisboa. O vereador havia declarado que o negócio era ilegal e tinha tentado desfazê-lo. O que Domingos Névoa ignorava era que o advogado andava a gravar as conversas que tinha com ele. Mas se a maioria das escutas foram autorizadas por um juiz, vindo assim a servir de prova para condenar Domingos Névoa por corrupção, o mesmo não sucedeu com a primeira conversa. O empresário apresentou então queixa em tribunal contra Ricardo Sá Fernandes por crime de gravação ilícita.
Perante a primeira instância, que ilibou o advogado, compareceram como testemunhas do arguido figuras como Cândida Almeida, procuradora-geral adjunta, e a directora do Departamento de Investigação e Acção Penal, Maria José Morgado. Só que a Relação veio considerar, em Abril passado, que os juízes se haviam enganado na apreciação da prova e condenou o advogado. Foi desta decisão do Tribunal da Relação que o causídico recorreu, primeiro para o Supremo e depois para o Tribunal Constitucional. "O acórdão da Relação envergonha a justiça portuguesa", considera Ricardo Sá Fernandes. Numa decisão sumária datada do final do mês passado, um juiz do Tribunal Constitucional declarou que a causa não é passível de apreciação pelos constitucionalistas.
"Ricardo Sá Fernandes está a jogar com o tempo, para o processo prescrever", acusa o advogado de Domingos Névoa, Artur Marques. Foi também a prescrição que fez com que o empresário de Braga já não tenha, afinal, de pagar os 200 mil euros de multa a que foi condenado por corrupção. Caso o TEDH lhe dê razão, Sá Fernandes diz que mandará reabrir o processo em que foi condenado por gravação ilícita.
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quarta-feira, 7 de novembro de 2012
ISMAI: lançamento do livro Profiling Criminal
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Simas Santos
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7.11.12
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Etiquetas: apresentação UICCC, ISMAI, profiling criminal
Fim dos procuradores distritais pode gerar "implosão" da hierarquia do MP
A nova procuradora-geral da
República, Joana Marques Vidal, preside por inerência ao conselho Miguel Manso
Se a proposta for aprovada tal como está, o MP passará a ser um "corpo pulverizado, constituído por inúmeras partículas isoladas", que se revelará "incapaz de se conduzir como um todo e de se afirmar em conjunto no cumprimento da missão que lhe está confiada", diz o CSMP no parecer a que o PÚBLICO teve acesso. O ministério salienta, contudo, que não haverá eliminação das procuradorias distritais e sustenta que o CSMP - órgão a que preside por inerência o procurador-geral da República - fez uma "leitura que não corresponde à intenção do projecto".
Fonte do gabinete da ministra da Justiça avançou ao PÚBLICO que o parecer terá sido elaborado por um grupo de trabalho dentro do próprio CSMP que incluía os procuradores-gerais distritais de Lisboa e Coimbra e não foi votado por todos os conselheiros. O PÚBLICO apurou, contudo, que não é frequente que estes pareceres sejam aprovados, devido aos prazos reduzidos de resposta.
PGR em silêncio
O Estatuto do MP estabelece que "na sede de cada distrito judicial existe uma Procuradoria-Geral Distrital" dirigida por um procurador a quem compete, entre outras missões, "dirigir e coordenar a actividade do MP no distrito judicial, emitir ordens e instruções e representar o MP no Tribunal da Relação". A proposta do MJ, contudo, omite os procuradores-gerais distritais e cria, por outro lado, a figura do procurador-geral adjunto coordenador nos cinco tribunais da Relação existentes no país.
Alguns procuradores reconheceram ao PÚBLICO o receio de estes "coordenadores, de quem ainda não se conhece os futuros poderes, não terem a mesma autonomia e poder face à Procuradoria-Geral da República", que garantiu ontem que não se vai pronunciar publicamente sobre o assunto e que a sua posição "será transmitida às entidades competentes". Já José Baranita, da direcção do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, assume que os procuradores têm "algumas reservas quanto à proposta".
Sem "blindagem a pressões"
O CSMP salienta ainda no seu parecer que não estão explicadas as razões pelas quais se pretende esta alteração nos níveis de hierarquia e lembra que esta "é condição de autonomia e de afirmação da magistratura do MP e, nesse quadro, da Lei, do Estado de direito democrático e de cada um dos seus magistrados", constituindo "um factor de blindagem a pressões exteriores". Por isso, defendem que a "presente iniciativa legislativa seja abandonada" e que a sua discussão "seja retomada em conjunto com os "estatutos dos magistrados judiciais e do MP".
Os conselheiros criticam também o MJ por pretender instituir um modelo de governance do MP com uma magistratura não hierarquizada. "Na coerência do modelo proposto seria até dispensável a Procuradoria-Geral da República e o respectivo titular - o PGR -, subsistindo só, em coincidência com a magistratura judicial, o CSMP e o respectivo presidente."
Outro motivo de preocupação do CSMP refere-se às alterações na própria composição deste órgão, onde passarão a ter assento já não os quatro procuradores-gerais distritais mas os cinco procuradores-gerais adjuntos coordenadores que vão representar o Ministério Público nos tribunais da Relação. O CSMP diz que a alteração, a avançar, contribuirá para "desequilibrar" ainda mais "a representação no conselho, que já hoje conta com um número de magistrados muito superior ao de não magistrados". Para além disso, a alteração pode ser inconstitucional por ser feita através de uma lei ordinária, quando a lei fundamental prevê a composição daquele órgão.
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7.11.12
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Etiquetas: CSMP, procuradores-gerais distritais
Relação do Porto esvaziada de competências, alerta juiz
O presidente do Tribunal da Relação do Porto, José Sousa
Lameira, lamenta que a última versão da reforma do mapa judiciário esvazie as
competências daquela instância e insiste que este modelo "inviabiliza por
completo" a especialização nos tribunais superiores. O juiz desembargador
mostra-se surpreendido com a redução da competência territorial da Relação do
Porto, uma opção que, garante, nunca foi sequer discutida. E insiste que a
mudança contribuirá para piorar a Justiça e aumentar as despesas.
Numa carta enviada ao gabinete da ministra da Justiça, José Sousa Lameira queixa-se que a competência da Relação do Porto ficará reduzida às comarcas do Porto, Porto Este e Aveiro, enquanto os processos dos distritos de Vila Real e Bragança passam para a Relação de Guimarães. "Não se vislumbra qualquer razão para esta mudança, que apenas acarreta inconvenientes e contribuirá, certamente, para uma pior Justiça", afirma. E realça que a Relação do Porto possui o único edifício do país com condições condignas para instalar um tribunal superior, que, com esta alteração, ficará subaproveitado. "[A mudança] não trará qualquer ganho de eficácia, nem se vislumbram quais as vantagens para as populações abrangidas, sendo certo que em termos económicos não se alcançarão quaisquer benefícios; antes pelo contrário, a despesa tenderá a aumentar", escreve o juiz.
O desembargador sustenta que se devia aproveitar esta reforma para discutir toda a organização judiciária, avaliando-se, por exemplo, se faz sentido manter a Relação de Guimarães e dois supremos (o de Justiça e o Administrativo). "Não faz sentido que a Norte do Douro existam duas relações", considera.
José Sousa Lameira defende que a dimensão dos tribunais da relação, com excepção do de Lisboa, tornará "impossível criar secções em matéria de família e menores, de comércio, de propriedade intelectual e de concorrência, regulação e supervisão", como pretende o Governo. "Uma secção tem que ter um número mínimo de magistrados que permita a discussão de ideias e a sedimentação da jurisprudência", sublinha o juiz. "Não faz sentido uma secção com três ou quatro juízes em que a discussão é feita em círculo fechado", remata.
Contactado pelo PÚBLICO, o Ministério da Justiça adianta que só anteontem recebeu o parecer do presidente da Relação do Porto, não tendo ainda analisado o documento.
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7.11.12
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Etiquetas: Tribunal da Relação do Porto

