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quarta-feira, 27 de março de 2013

COIMBRA: Funcionária de prisão detida ao tentar introduzir droga


por Lusa, texto publicado por Sofia Fonseca
Uma funcionária do Estabelecimento Prisional de Coimbra foi detida pela Polícia Judiciária (PJ), através da Diretoria do Centro, quando tentava introduzir uma "grande quantidade de estupefacientes e outras substâncias proibidas" no interior da cadeia, informou a polícia.
Em comunicado, a PJ revela ter apreendido à suspeita "cerca de 3.200 doses de haxixe, 1.500 doses de heroína, 210 cápsulas de uma substância ainda não identificada, 5,270 quilos de uma substância química em pó também ainda não identificada, suspeitando-se de substâncias para desenvolvimento muscular, duas 'pen drive usb' e uma viatura".
A detenção ocorreu quando a funcionária - presumível autora de um crime de corrupção passiva e de tráfico de estupefacientes - tentava introduzir uma grande quantidade de estupefaciente e outras substâncias proibidas, no interior do estabelecimento prisional.
"As substâncias estupefacientes apreendidas e tendo em conta o meio fechado onde seriam comercializadas, poderiam atingir um valor superior a 30.000 euros", adianta a Polícia Judiciária.
A detida, de 52 anos, vai ser presente a primeiro interrogatório judicial para determinação das medidas de coação.
Diário de Notícias, 27-03-2013

sábado, 22 de setembro de 2012

Toxicodependência Está a aumentar o consumo de álcool e drogas por causa da crise, alerta João Goulão

O director-geral do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD), João Goulão, disse hoje, em Coimbra, que se assiste em Portugal a um “recrudescimento de consumos” para alívio do sofrimento devido à crise.

“Com as condições difíceis que franjas importantes da população vão sentindo, estamos a ver algum recrudescimento de consumos muito ligados ao alívio do sofrimento”, afirmou João Goulão, um dos oradores no 2.º Encontro da Associação Portuguesa de Adictologia, da Associação Portuguesa para o Estudo das Drogas e das Dependências (APEDD).

À margem do evento, João Goulão disse que “a substância mais preocupante neste contexto é o uso, excessivo e diário, de álcool”. “É o primeiro grande reflexo”, referiu.

Segundo este responsável, “há também um certo recrudescimento do consumo de heroína, sobretudo pela via injectável. “É um aumento que ainda não conseguimos traduzir em números, são dados empíricos que nos chegam do terreno”, referiu.

De acordo com João Goulão, trata-se de consumos “que tinham vindo a baixar nos últimos anos e em relação aos quais há agora um certo recrudescimento”. Algumas destas pessoas têm “um passado de toxicodependência, conseguiram parar os seus consumos, conseguiram construir as suas vidas mesmo com alguma precariedade [...], mas estão na primeira linha da fragilidade social: quando sobe o desemprego, as dificuldades económicas, são das primeiras” a ser afectadas.

“Como têm dificuldades em lidar com a frustração e com a adversidade, com alguma frequência são tentadas a voltar aos padrões de vida anteriores”, adiantou o director-geral do SICAD.

Também o presidente da APEDD, João Curto, referiu que, “em situação de crise, é natural que as pessoas recorram mais aos consumos”, nomeadamente ao álcool.

Em relação ao aumento dos consumos das “drogas mais acessíveis e ligeiras”, o psiquiatra disse que, em condições sociais e económicas difíceis, e “em situações de angústia ou desespero, o ser humano acaba por se agarrar a qualquer coisa que lhe faça, pelo menos, esquecer temporariamente” essas dificuldades.

Também com base em dados empíricos, João Curto corroborou a percepção de que se está a retomar alguns níveis de consumo de heroína em todas as camadas etárias, exemplificando com pessoas que começaram a consumir com idades acima dos 50 anos, muitas delas por situações de desemprego. “É nitidamente uma consequência da crise, por desemprego, por falta de meios de subsistência para a família”, sustentou.
Público de 22-09-2012

terça-feira, 19 de junho de 2012

Cantor salvo pela PJ de cilada do regime (Angola)


Dois polícias angolanos vistos a meter 1,7 kg de cocaína na bagagem de opositor do governo.
Primeiro estava proibido de sair do país. Minutos depois já podia voar para Lisboa. E com espera na sala VIP. A mudança de decisão e a cortesia intrigaram Luaty Beirão, cantor angolano associado à luta anti-regime de Eduardo dos Santos; mas a resposta, no aeroporto de Luanda, chegou rápido, com o músico a ser alertado por outros passageiros para os dois polícias vistos a mexer na sua bicicleta, despachada no porão. Resultado: 1,7 quilos de cocaína num saco agarrado à bicicleta - e denúncia de um órgão oficial para a Judiciária, via SEF.
A rápida investigação da PJ, na recolha de testemunhos e com imagens de videovigilância junto aos tapetes rolantes onde são levantadas as bagagens, salvou Ikonoklasta, o nome artístico do rapper angolano, conhecido pela oposição que faz ao governo do seu país, de ter entrado na semana passada em prisão preventiva. As imagens, passadas a pente fino pela Judiciária, foram essenciais. Percebe - se no vídeo ser genuíno o desespero do músico, sozinho, a chorar e de mãos na cabeça, mal recolheu a bicicleta e se apercebeu da armadilha em que caíra.
O cantor fora alertado para o perigo, na segunda-feira da última semana, por outros passageiros, mas, já em Lisboa, não teve sangue -frio para largar tudo e ir até à polícia. Segundos depois, era detido na alfândega - por inspectores da PJ que não o mandaram parar por acaso, em revista de rotina. A detenção de Ikonoklasta e apreensão do saco com 1,7 quilos de cocaína deveram-se a uma denúncia que partiu de Angola para a Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes da Judiciária. Chegou ao SEF, em Luanda, a informação de que o músico ia chegar a Lisboa com droga. E essa denúncia, também apurou a PJ, partiu de um organismo oficial do Estado daquele país. Os investigadores associaram a informação às imagens de desespero do cantor j á na capital portuguesa; a testemunhos recolhidos, nomeadamente sobre dois polícias vistos a mexer na bagagem do músico; e aos seus antecedentes de luta anti-regime. Por isso, foi proposto ao Ministério Público e ao juiz que Luaty Beirão continuasse em liberdade.
Henrique Machado
Correio da Manhã de 19-06-2012

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

A mudança necessária


Com a "morte" do IDT (Instituto da Droga e da Toxicodependência), abre-se um novo ciclo no debate da problemática da toxicodependência e das políticas adoptadas. É a grande oportunidade de o Estado analisar o que andou a fazer com os toxicodependentes, de verificar se as medidas tomadas serviram, de facto, o homem que está preso à droga, na perspectiva da sua recuperação ou, antes, serviram, apenas, os interesses dos grandes laboratórios farmacêuticos.  
Sem pôr em causa aquilo que de bom o IDT possa ter feito, o certo é que as terapias de substituição que foram introduzidas em Portugal nos anos 70, com o surgimento do Centro das Taipas, estão velhas e precisam de uma nova orientação. Este talvez seja o tempo de operar as mudanças necessárias.  
A metadona, erigida em panaceia nacional para resolver o problema da droga, apesar dos efeitos positivos numa política de redução de danos, trouxe, no tratamento a médio prazo (cinco ou oito anos), uma falsa ideia de facilidade e não preveniu os riscos do desenvolvimento de um mercado ilegal, de consumo de cocaína e abuso de álcool.  
As terapias de substituição devem ser enquadradas numa estratégia de redução de danos, em que as Comunidades Terapêuticas têm um papel decisivo, não só na recuperação efectiva do ser humano que precisa de ajuda, bem como para conter a epidemia da sida e de outras doenças infecto-contagiosas. Devem ser terapias de qualidade e avaliadas sempre segundo critérios científicos por entidades independentes, o que não tem acontecido.  
O que é grave e precisa de ser mudado é a cultura de que em Portugal não existe um limite para a permanência em programa de metadona. Ou seja,um dependente de drogas tanto pode estar um dia como vinte anos em programa de substituição. Olha-se mais para o lucro espúrio da venda da metadona do que para a recuperação do toxicodependente.  
Desta forma prolongada ninguém é recuperado; antes, terá uma morte anunciada. Os custos são elevados para os contribuintes, que pagam com os seus impostos um tratamento que não recuperao utente,porque beneficia de uma isenção no SNS, podendo ainda, se estiver em condições, receber o rendimento social de inserção.  
Não é preciso ser médico para considerar que o uso, pelo utilizador de drogas, sem limites, da metadona não é benéfico. Esta política alimenta o conformismo, baixa as expectativas de recuperação e não cria estímulos para a mudança de comportamento.  O caminho está em dar todo o apoio às Comunidades Terapêuticas, visando a desabituação física de quem cai neste mundo de desgraça humana, porque se trata de um problema da sociedade e não só do indivíduo.  
Gastos dos ministérios. Em nome da transparência, o Supremo Tribunal Administrativo condenou 11 ministérios a fornecerem à ASJP os dados relativos à atribuição de cartões de crédito, telefones, despesas de representação e subsídios de renda dos respectivos gabinetes.  
Direitos adquiridos. Foi bom o alerta que Noronha Nascimento fez para a violação dos direitos adquiridos. Mesmo com a crise, não vale tudo, nem sacrificar até à exaustão sempre os mesmos.  
Pressa em comunicar.  Não tem sido boa a estratégia de comunicação do Ministério da Justiça. A pressa em comunicar e mostrar trabalho pode matar o que de bom está a ser feito. 
Rui Rangel,
Correio da Manhã de 09-02-2012

domingo, 18 de dezembro de 2011

Manual de luta contra a droga

Antonio Nicolás   Marchal Escalona, Eduardo Serra Rexach, Manual de lucha contra la droga, Editorial Aranzadi, S.A., Pamplona 2011, ISBN 9788499030036

Resumo do livro

“(…) Mi situación personal se fue deteriorando y me encontraba cada vez peor. Necesitaba una raya nada más levantarme ya que si no la esnifaba me dolían los riñones, no paraba de bostezar, temblaba…; la tomaba y asunto solucionado…, hasta el desayuno. Tenía que “meterme” otra para poder desayunar, otra para salir de casa, otra a media mañana, otra antes de comer, después de comer, etc., etc., etc. Al principio la coca me quitaba las ganas de comer, más tarde era precisamente la raya la que me permitía alimentarme. Ya no era vida. Ya no podía disimularlo por más tiempo, así que me marché del pueblo a otro muy lejano: poner distancia. No me costó mucho “adaptarme” al nuevo escenario (…). Si algo quiero rescatar de mi historia es el daño tan terrible que causé a mis padres. Al comienzo, cuando sospecharon que estaba enganchado, trataban de ayudarme, hablaban -o intentaban hablar- conmigo. Se esforzaron por llegar a ese inaccesible hijo hasta lo indecible. Perdieron la sonrisa, las ganas de vivir. Ya no iban de vacaciones, no salían, sufrían y sufrían una situación que les hacía desangrarse lentamente, que mataba sus ilusiones… Un recuerdo inolvidable es la tristeza permanente instalada en sus avejentados rostros antes de tiempo. Mis padres aparentaban 10 ó 15 años más de los que realmente tenían. No dormían esperando mi regreso, no vivían…, y todo, gracias a mí… (…)
Un día robé un coche y fui a recoger a Lidia a la salida del trabajo. Todo bien. Llevaba un coche potente y mi novia, droga y dinero. Tuve un accidente… Lidia murió. Yo quedé en coma durante cerca de mes y medio. Desperté, no recordaba nada. ¿Dónde está Lidia? -preguntaba. Nada me decían, hasta que, una vez recuperado, me lo contaron. Parece ser que iba a mucha velocidad y perdí el control del coche. Iba drogado. Me detuvieron… (…)
Se nos mira como a basura, delincuentes, escoria…; pero, si nos paramos a pensar, todos recordamos a algún familiar o amigo que transitó ese camino. Era buena gente. Yo lo conocí. Era un chaval como yo, con sus locuras y sus certezas, su inseguridad y su ingenuidad… Ahora ya no está. Cuando se enganchó a la droga era otra cosa. Comenzó su carrera de delitos y prisión, hasta que, lamentablemente, murió en…, murió por…
No sé si se podrá calificar o no como enfermedad mental, lo que tengo de cierto -al menos para mí-, es que un drogodependiente está más cerca de la enfermedad mental que del delito, no sé si equidistante, pero lo cierto es que no es dueño de sí. Que algo más fuerte que él mismo le arrastra a delinquir, a hacer daño, a destruirse y es precisamente eso lo que nos debe de quedar en la retina cada vez que les observemos y nos atrevamos a juzgarles (…)”.
Esta es parte de una historia, de muchas historias. La droga está ahí, en la calle, al alcance de quien quiera buscarla. Destruye vidas, aniquila familias, ilusiones, esperanzas. Está en nuestras manos -en las de todos-, ayudar aportando nuestro granito de arena en esta contienda.